Ser feliz no amor: o que podemos aprender com Jane Austen?

Como a mulher moderna pode ser mais feliz no amor? Seria possível apropriar-se da obra literária da renomada escritora inglesa do século 18, Jane Austen, e resolver os problemas amorosos que as mulheres de hoje enfrentam? A escritora americana Elizabeth Kantor acredita que sim. Elizabeth dedicou-se aos estudos da obra de Austen e percebeu que seus romances tinham todas as respostas que precisávamos.

Afinal de contas, somos hoje uma geração de mulheres mais fortes, mais seguras, mais independentes. Mas por que é que ainda assim falhamos na hora de encontrar o cara certo? O que as heroínas dos clássicos de Jane Austen aprenderam para terem finais felizes que nós ainda não aprendemos?

Em “A Fórmula do Amor” (The Jane Austen Guide to Happily Ever After), Elizabeth mostra que Jane Austen pode ajudar as mulheres a encontrar seu final feliz, ou seja, saber identificar o amor que elas estão procurando, ter dignidade na vida amorosa e compreender mais a psicologia masculina.

Mas o que é que Jane Austen pode oferecer que as revistas femininas e os livros de autoajuda não podem? Elizabeth explica que os clássicos de Jane Austen são atemporais, revelam um profundo entendimento tanto da psicologia feminina quanto da masculina. Enquanto as revistas e os livros de autoajuda têm seu prazo de validade e logo são esquecidos.

“Essas publicações atuais são mais práticas, diretas e com títulos mais agressivos, como se o amor fosse um campo de guerra. ‘Ele não está a fim de você’ ou algo como ‘Aja como uma mulher, pense como um homem’. Isso acaba se tornando um beco sem saída na relação. Jane Austen oferece uma proposta mais delicada, mais gentil com os sentimentos e relações. A suavidade na forma de tratar e analisar os relacionamentos, essa delicadeza de sentimentos que ela ressalta em suas obras, acredito que tenha se perdido nos dias de hoje”, revela Elizabeth.

E as semelhanças das mulheres do século 18 com as de hoje ainda são muitas. Embora não andemos de carruagem nem trajemos vestidos longos, ainda passamos pelos mesmos problemas amorosos. As heroínas dos clássicos de Austen já se queixavam dos homens com medo de compromisso.

2006-11-27 at 15-35-13_3

Nos livros e na realidade do tempo de Austen havia poucos eventos sociais, onde a maior parte deles se concentrava em bailes interioranos, onde o homem e a mulher se encontravam na dança, interagiam, podiam observar um ao outro. Na dança o homem escolhia a mulher, mas era ela quem dizia sim ou não. Nosso ritual similar e contemporâneo seria a tal “ficada”, como um teste, um experimento.

Mas essas “ficadas” de hoje parecem não valorizar essa observação do temperamento alheio; enquanto as mulheres dos bailes dedicavam-se a entender a mente masculina, hoje parece não haver tempo para isso; vivemos num ritmo apressado, não damos valor a essa tarefa de procurar analisar e compreender melhor o outro.

Em uma época onde “Cinquenta Tons de Cinza” é sucesso entre o público feminino, pode até ser que hoje as mulheres saibam mais sobre o sexo, mas talvez menos sobre o amor. “Um livro como esse (Cinquenta Tons) é como um produto barato, falsificado. Esse tipo de leitura trata apenas de um jogo. Não aprendemos sobre os relacionamentos. Os heróis de ‘Orgulho e Preconceito’ seriam as peças originais, enquanto os personagens de ‘50 Tons de Cinza’ seriam a cópia”, compara Elizabeth Kantor.

Personagens como Elizabeth Bennet e Sr. Darcy, de “Orgulho e Preconceito”, são personagens verossímeis, onde podemos identificar traços de personalidade compatíveis com nossa realidade, com suas atitudes, seus defeitos e qualidades. Austen descreve com sutileza as peculiaridades de cada personagem e traça seus comportamentos equivocados e as consequências de seus atos. Os personagens cometem seus erros, passam por mudanças doloridas e passam por todo um processo de amadurecimento.

“Jane Austen propõe algo mais autêntico, olhar mais para dentro. E o prazer sexual consequentemente será algo ainda mais relevante, dentro de uma relação mais densa”, acredita Elizabeth.

Austen foi uma mulher à frente de seu tempo, gostava de ganhar dinheiro com os livros que vendia e sempre acreditou que as mulheres fossem igualmente capazes e igualmente inteligentes que os homens.

“Mas ao contrário do que possa parecer, ela não acreditava que essas conquistas individuais fossem a coisa mais importante do mundo. As pessoas e as relações para Austen eram mais importantes que isso”, revela Elizabeth. Jane priorizava os sentimentos. “O que acontece hoje é que as mulheres pensam que não devem depender do amor; devem depender da carreira, da educação, do estudo. Que se pensarem muito no amor, podem arruinar suas vidas. Mas Jane daria um conselho: ‘apenas ame certo’”, afirma a escritora americana.

Segundo Elizabeth, Jane Austen acreditava que a força da mulher vinha dessa competência no manejo das relações. Aceitar a necessidade de amar e de ter um companheiro não deveria ser considerada uma fraqueza.

E se você acha que merece também ser feliz no amor, pode encontrar a “fórmula” de Jane Austen através do livro de Elizabeth Kantor. O livro pode ser encontrado na livraria virtual Realejo Livros. Para quem quiser saber mais sobre o trabalho da escritora americana, Elizabeth Kantor estará presente na Tarrafa Literária 2013, no sábado dia 28, às 20 horas. Ela fará parte da mesa de debate com o escritor Francisco Daudt da Veiga, onde discutirão sobre a fórmula do amor. O evento será no Teatro Guarany, em Santos, litoral de São Paulo.

cropped-capa_facebook_formula.png

Confira algumas lições práticas que podemos aprender com Jane Austen:

– Ao invés de se perguntar se ele gosta do mesmo tipo de música que o seu, Jane Austen se perguntaria: será que ele tem bons princípios? Será que ele controlaria meus humores? Será ele um homem amoroso ou mais frio? Faça as perguntas essenciais a si mesma;

– Não procure encontrar sua alma gêmea. Jane Austen pensava ser ridículo concluir que um homem que a mulher acabou de conhecer só podia ser o único a quem a felicidade de sua vida futura deveria depender. Em seus romances, o amor é sobre a prudência, bem como a paixão;

– Mantenha uma distância boa o suficiente para que você possa ver o homem que acaba de conhecer de uma boa perspectiva. A vida social na época de Jane Austen foi adequada para que homens e mulheres não ficassem muito perto de forma tão prematura. Aproveite para analisar suas características de personalidade ao invés de se entregar e sofrer sem necessidade;

– Reconsidere seus amigos homens como perspectivas amorosas. Você tem um amigo muito presente e companheiro, mas nunca pensou nele de forma romântica? Talvez você esteja perdendo seu tempo com um sedutor que nunca vai querer nada sério com você, ao invés de estar com o homem que pode te fazer feliz de verdade.

Por Jessica Moraes

http://vilamulher.terra.com.br/ser-feliz-no-amor-o-que-podemos-aprender-com-jane-austen-3-1-30-1478.html

Compre aqui: http://www.realejolivros.com.br/loja/index.php?route=product/product&path=35_45&product_id=141

Advertisements