Um homem verdadeiramente ótimo, não apenas “ótimo para mim”

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“Exatamente dois terços dos americanos acreditam no conceito de almas gêmeas, no qual ‘duas pessoas estão destinadas a ficarem juntas’”, relatou o Washington Times em setembro de 2010. Mais mulheres do que homens, os pesquisadores descobriram, aceitam essa teoria sobre o amor. Impressionantes 69% de nós, contra 63% dos homens, concordam com o conceito de almas gêmeas. O lado ruim? Pessoas que acreditam em almas gêmeas têm 150% mais chances de se divorciarem do que pessoas que não acreditam.

O que Jane Austen tem a dizer sobre esse assunto? Suas heroínas estão buscando suas almas gêmeas? Elas se casam com os homens a quem estão destinadas? Parece que não. Aqui está Elinor Dashwood, fazendo seu melhor para convencer sua Romântica irmã a abandonar a teoria das almas gêmeas no amor, “e, depois de tudo, Marianne, depois de tudo que é encantador na ideia de um apego singular e constante, e de tudo que pode ser dito a respeito da felicidade de alguém depender inteiramente de uma pessoa em particular, não deve ser – não cabe – não é possível que seja assim”.

Se você já leu até aqui, não vai ficar chocada ao encontrar Jane Austen do lado realista, não do Romântico, em qualquer questão. Mas se as heroínas de Jane Austen não estão procurando suas almas gêmeas, o que elas estão procurando? E se elas não terminam com “O” homem perfeito que o destino lhes reservou, como o par que elas encontram no fim dos romances parece tão… perfeito?

Uma heroína de Jane Austen pensa muito menos do que nós em “achar um homem ótimo para ela” e muito mais em achar um homem que seja simplesmente ótimo. Não é que a compatibilidade não seja parte da equação – Jane Austen não é defensora do “não seja tão exigente, você pode ser feliz com qualquer homem decente se desejar”. Mas suas heroínas pensam e falam sobre homens em termos de qualidades objetivas que os tornam homens interessantes, não apenas em como combinam com as preferências e necessidades subjetivas das heroínas. Jane Austen tem todo um vocabulário sofisticado para falar de cada aspecto da personalidade de um homem. Porque esquecemos que essa linguagem, nosso pensamento sobre um homem – pelo menos quando vai além de aparência e status e entra na questão de que tipo de pessoa ela é – tende a cair quase imediatamente em uma avaliação subjetiva do que nos atrai pessoalmente. Uma heroína de Jane Austen tem critérios melhores para avaliar os homens. Não com exatidão científica, é claro, mas comparando-os com padrões que têm algum tipo de aplicação universal. Ela pensa no quanto um homem é “perfeito” de forma abstrata antes de perguntar se ele é “perfeito para mim”.

 

Trecho extraído de “A Fórmula do Amor – Segredos de Jane Austen para os Relacionamentos”, de Elizabeth Kantor. Adquira aqui.

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